quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Tá pronto, seu lobo?




O título deste livro é derivado de uma antiga brincadeira de roda, muito comum, no interior do Brasil, em décadas passadas.
   Quase todos os dias, na escolinha de madeira, onde fiz o curso primário, brincávamos de "Tá pronto, seu lobo?" A professora brincava junto e era uma das mais animadas da roda.  O lobo demorava  para ficar pronto. Cada vez que repetíamos a pergunta, ele inventava uma coisa que faltava ( falta arrumar a cama, vestir a roupa, tomar café, comer mingau, tomar água....)   
  Ficávamos de prontidão, porque, assim que o lobo estivesse pronto, viria em disparada para a roda. Aquele que fosse tocado pelo lobo tomava o seu lugar e as perguntas se repetiam. Cada lobo inventava as coisas que faltavam para estar “pronto”.  Não me lembro de alguma vez ter me cansado deste brinquedo, embora fosse um dos mais repetidos nos recreios.
   "Tá pronto, seu lobo?" é  uma pergunta que nunca mais me largou. A roda se acabou. A escolinha de madeira não existe mais. Dos colegas não tenho notícias. Mas a pergunta me seguiu pela vida afora. Um dia, inventei um poema em que respondi, do meu jeito, a pergunta da roda ao lobo.
Alguns poemas desta coletânea já tem uma história afetiva com leitores reais e virtuais, como é o caso do poema título. Reuni, neste feixe poético, poemas escritos em vários momentos da vida. Plantas, flores, cores, letras, bichos, brincadeiras, nonsense e outras provocações poéticas da obra devem ao manancial do folclore a inspiração e os procedimentos escolhidos para dar forma às brincadeiras com a linguagem. 

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