terça-feira, 20 de maio de 2014

Frutas no pé



    No campo,  antigamente,  muitos quintais eram formados por árvores frutíferas que nasciam , ao acaso, das sementes jogadas aqui e ali, sem intenção de plantio.
    As árvores nascidas deste modo formavam redutos  de sombra e beleza. A casa onde me criei era rodeada de fora a fora por pessegueiros de toda qualidade. Na estação própria, qualquer janela que abrisse dava para os pessegueiros em flor.
    As crianças de Duas Pontes,  naqueles dias tão distantes e quase inacreditáveis para um urbano pós-moderno, só faltavam morar nos troncos das árvores da mata e do quintal à cata dos frutos maduros ( às vezes até dos verdes).
    Crianças e passarinhos auxiliavam o plantio de novas árvores frutíferas no quintal e também na mata. Quando uma pitangueira ficava velhinha, outra, nascida ao acaso,  já começava a dar pintangas deliciosas.
   Pomar de Brinquedo ( Larousse, 2009)  surgiu do desejo de homenagear as frutas que me deram alimento, sombra, e encantamento durante toda a infância. Frutas colhidas no pé, lavadas pela chuva,  perfumadas, doces e suculentas. Divididas com passarinhos e outros bichos que apreciam frutos maduros. Enfim, inesquecíveis frutos da terra tão belos guardados na memória e na poesia.    

Crianças da Escola Hermann Müller, em Joiville/SC, lendo o poema CARAMBOLA do livro Pomar de Brinquedo: 











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